Graças à s estratégias adotadas no perÃodo 2003-2014, atravessamos a maior crise internacional desde os anos 1930 empregando polÃticas anticÃclicas que nos garantiram a continuidade da distribuição de renda, a criação de empregos e a manutenção dos investimentos.
Por Antonio José Alves Jr.* e Lucas Teixeira*, no Brasil Debate
Reprodução
As diferenças da polÃtica econômica entre FHC e Lula-Dilma
No perÃodo 2003-2014, a economia brasileira gerou mais de 18 milhões de empregos formais, a desigualdade da distribuição de renda foi reduzida, o consumo das famÃlias aumentou, o investimento também cresceu e as reservas internacionais aumentaram na ordem de dez vezes.
A despeito desse desempenho, crÃticos aos governos Lula e Dilma os acusam de não terem dado continuidade à s reformas liberalizantes e de terem abandonado as polÃticas ditas responsáveis.
Para eles, o baixo crescimento dos últimos três anos é sinal de que o atual modelo, baseado no “consumismo†e no “dirigismoâ€, estaria se esgotando.
E, o que seria pior, arriscando as bases econômicas sólidas, construÃdas por meio da introdução de reformas da década anterior. O Brasil estaria dando um passo para trás no desenvolvimento.
Curiosamente, muitas análises descartam a Grande Recessão Mundial em que vivemos.
Não é difÃcil pinçar artigos que, para testar relações entre variáveis, utilizam metodologias sofisticadas lado a lado a crenças de que “a crise de 2008 não afetou as economias emergentes†ou que “foi rapidamente superadaâ€. E, com base nessa miopia analÃtica, afirmam que as estatÃsticas de crescimento brasileiras são decepcionantes.
O fato é que, quando examinados em perspectiva, os mesmos dados demonstram que o Brasil foi muito bem-sucedido diante da economia mundial e das economias avançadas desde 2003, perÃodo em que foram colocadas em prática as polÃticas distributivistas e o papel do Estado foi fortalecido.
Os gráficos abaixo comparam a evolução do PIB mundial, das economias avançadas e do Brasil, no perÃodo das reformas liberais (1990-2002) e no atual (2003 em diante). Tornando o PIB real dessas economias, no inÃcio de cada perÃodo igual a 100, fica evidente que o Brasil perdeu espaço na economia mundial no “perÃodo liberalâ€.
Precisamente o oposto do que se desejava e previa. Esperava-se que o engate do Brasil na economia global pela adesão ao consenso de Washington seria o caminho mais óbvio para o desenvolvimento. Não obstante, testemunhou-se o contrário.
Gráfico a evolução do PIB entre FHC e Lula-Dilma
Observa-se que, no “perÃodo liberalâ€, a economia brasileira conseguiu acompanhar a economia mundial apenas entre 1992 e 1997, perÃodo de crescente liquidez na economia internacional.
Quando ocorreu a crise da Ãsia, ficou evidente que a tentativa de se enganchar na economia mundial pela via da liberalização e do enfraquecimento do Estado resultou em fragilidade financeira externa. A economia nacional ficou à deriva, frustrando aqueles que acreditavam ser esse o caminho para desenvolvimento.
A utopia liberal se revelou uma miragem. A estratégia adotada de se acoplar na economia mundial resultou em perdas de graus de liberdade para a polÃtica econômica.
As crises internacionais, ao longo desse perÃodo, afetaram pesadamente a economia brasileira. Não por causa das crises propriamente, com potencial destrutivo muito menor do que a quebra do Lehmann, em 2008, mas porque as repercussões locais foram exacerbadas.
De um lado, a fragilidade financeira externa do PaÃs não nos dava proteção quanto a choques. De outro, as polÃticas de austeridade adotadas no PaÃs provocaram desemprego e atrasaram o crescimento.
Para piorar, o racionamento de energia elétrica de 2000/2001, fruto do abandono do planejamento do setor elétrico que nos deixou fragilizados diante da escassez de chuvas, mais uma vez atrasou o crescimento.
De 2003 em diante, a lógica da polÃtica mudou. Sem provocar ruptura institucional ou econômica, o governo aproveitou a fase ascendente do ciclo internacional para aumentar os graus de autonomia de polÃtica econômica.
Essa estratégia foi articulada em três frentes. A primeira foi baseada na intensa acumulação de reservas internacionais para mitigar a fragilidade externa que, com frequência, assombrava o PaÃs, interrompendo ciclos de crescimento.
A segunda consistiu no fortalecimento do mercado interno. Os programas de transferência de renda, dentre eles, o Bolsa FamÃlia, a polÃtica de recuperação do salário mÃnimo e a ampliação do crédito pessoal fortaleceram o consumo na economia.
Por último, a polÃtica de fortalecimento dos investimentos, com programas como o PAC, o Minha Casa Minha Vida, e o Programa de Sustentação do Investimento do BNDES, tornou o investimento mais robusto, contribuindo para reforçar a demanda e ampliar a capacidade produtiva.
O Brasil aproveitou a onda das commodities para aumentar seu raio de manobra em relação à economia mundial.
Graças a essa estratégia, atravessamos a maior crise internacional desde os anos 1930 empregando polÃticas anticÃclicas que nos garantiram a continuidade da distribuição de renda, a criação de empregos e a manutenção dos investimentos, além de um desempenho superior ao das economias avançadas e alinhado à economia mundial.
O sucesso dos últimos anos não foi um golpe de sorte nem a perseguição de uma miragem. Também não foi a solução de todos os problemas. Mas aumentou a capacidade do PaÃs de enfrentar os grandes desafios da modernização do sistema produtivo, do fortalecimento da infraestrutura econômica e social e do avanço na inclusão social. De continuar caminhando.
*Antonio José Alves Jr. é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Lucas Teixeira é aluno de doutorado no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Por Antonio José Alves Jr.* e Lucas Teixeira*, no Brasil Debate
Reprodução
As diferenças da polÃtica econômica entre FHC e Lula-Dilma
No perÃodo 2003-2014, a economia brasileira gerou mais de 18 milhões de empregos formais, a desigualdade da distribuição de renda foi reduzida, o consumo das famÃlias aumentou, o investimento também cresceu e as reservas internacionais aumentaram na ordem de dez vezes.
A despeito desse desempenho, crÃticos aos governos Lula e Dilma os acusam de não terem dado continuidade à s reformas liberalizantes e de terem abandonado as polÃticas ditas responsáveis.
Para eles, o baixo crescimento dos últimos três anos é sinal de que o atual modelo, baseado no “consumismo†e no “dirigismoâ€, estaria se esgotando.
E, o que seria pior, arriscando as bases econômicas sólidas, construÃdas por meio da introdução de reformas da década anterior. O Brasil estaria dando um passo para trás no desenvolvimento.
Curiosamente, muitas análises descartam a Grande Recessão Mundial em que vivemos.
Não é difÃcil pinçar artigos que, para testar relações entre variáveis, utilizam metodologias sofisticadas lado a lado a crenças de que “a crise de 2008 não afetou as economias emergentes†ou que “foi rapidamente superadaâ€. E, com base nessa miopia analÃtica, afirmam que as estatÃsticas de crescimento brasileiras são decepcionantes.
O fato é que, quando examinados em perspectiva, os mesmos dados demonstram que o Brasil foi muito bem-sucedido diante da economia mundial e das economias avançadas desde 2003, perÃodo em que foram colocadas em prática as polÃticas distributivistas e o papel do Estado foi fortalecido.
Os gráficos abaixo comparam a evolução do PIB mundial, das economias avançadas e do Brasil, no perÃodo das reformas liberais (1990-2002) e no atual (2003 em diante). Tornando o PIB real dessas economias, no inÃcio de cada perÃodo igual a 100, fica evidente que o Brasil perdeu espaço na economia mundial no “perÃodo liberalâ€.
Precisamente o oposto do que se desejava e previa. Esperava-se que o engate do Brasil na economia global pela adesão ao consenso de Washington seria o caminho mais óbvio para o desenvolvimento. Não obstante, testemunhou-se o contrário.
Gráfico a evolução do PIB entre FHC e Lula-Dilma
Observa-se que, no “perÃodo liberalâ€, a economia brasileira conseguiu acompanhar a economia mundial apenas entre 1992 e 1997, perÃodo de crescente liquidez na economia internacional.
Quando ocorreu a crise da Ãsia, ficou evidente que a tentativa de se enganchar na economia mundial pela via da liberalização e do enfraquecimento do Estado resultou em fragilidade financeira externa. A economia nacional ficou à deriva, frustrando aqueles que acreditavam ser esse o caminho para desenvolvimento.
A utopia liberal se revelou uma miragem. A estratégia adotada de se acoplar na economia mundial resultou em perdas de graus de liberdade para a polÃtica econômica.
As crises internacionais, ao longo desse perÃodo, afetaram pesadamente a economia brasileira. Não por causa das crises propriamente, com potencial destrutivo muito menor do que a quebra do Lehmann, em 2008, mas porque as repercussões locais foram exacerbadas.
De um lado, a fragilidade financeira externa do PaÃs não nos dava proteção quanto a choques. De outro, as polÃticas de austeridade adotadas no PaÃs provocaram desemprego e atrasaram o crescimento.
Para piorar, o racionamento de energia elétrica de 2000/2001, fruto do abandono do planejamento do setor elétrico que nos deixou fragilizados diante da escassez de chuvas, mais uma vez atrasou o crescimento.
De 2003 em diante, a lógica da polÃtica mudou. Sem provocar ruptura institucional ou econômica, o governo aproveitou a fase ascendente do ciclo internacional para aumentar os graus de autonomia de polÃtica econômica.
Essa estratégia foi articulada em três frentes. A primeira foi baseada na intensa acumulação de reservas internacionais para mitigar a fragilidade externa que, com frequência, assombrava o PaÃs, interrompendo ciclos de crescimento.
A segunda consistiu no fortalecimento do mercado interno. Os programas de transferência de renda, dentre eles, o Bolsa FamÃlia, a polÃtica de recuperação do salário mÃnimo e a ampliação do crédito pessoal fortaleceram o consumo na economia.
Por último, a polÃtica de fortalecimento dos investimentos, com programas como o PAC, o Minha Casa Minha Vida, e o Programa de Sustentação do Investimento do BNDES, tornou o investimento mais robusto, contribuindo para reforçar a demanda e ampliar a capacidade produtiva.
O Brasil aproveitou a onda das commodities para aumentar seu raio de manobra em relação à economia mundial.
Graças a essa estratégia, atravessamos a maior crise internacional desde os anos 1930 empregando polÃticas anticÃclicas que nos garantiram a continuidade da distribuição de renda, a criação de empregos e a manutenção dos investimentos, além de um desempenho superior ao das economias avançadas e alinhado à economia mundial.
O sucesso dos últimos anos não foi um golpe de sorte nem a perseguição de uma miragem. Também não foi a solução de todos os problemas. Mas aumentou a capacidade do PaÃs de enfrentar os grandes desafios da modernização do sistema produtivo, do fortalecimento da infraestrutura econômica e social e do avanço na inclusão social. De continuar caminhando.
*Antonio José Alves Jr. é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Lucas Teixeira é aluno de doutorado no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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